Analisando a sociedade contemporânea atual, percebemos que, cada vez mais, as pessoas buscam encontrar uma personalidade se ajustando ao que é considerado a tendência do momento, e não ao que elas realmente se identificam. Esta passagem de personalidade é totalmente efêmera, comercial e descartada após algum tempo. A internet é um meio que está vinculado à disseminação total de tendências, e o ciclo (na maior parte das vezes) é sempre o mesmo: alguém usa, viraliza, uma massa de pessoas consome e, quando não é mais novidade, é esquecido e surge outra coisa pela qual as pessoas se interessam. Sem perceber consumimos o que é mais rápido, viável e de fácil acesso, nos fazendo afastar do nosso próprio entendimento de quem somos nós e de como nos identificamos. Mas a pergunta que fica é: como deixamos de ser influenciados por essa cultura massiva, que está sempre em constante ressignificação?

Setembro é um grande mês no mundo da moda, em que muitos desfiles, relações e explorações de novas tendências para o próximo ano são revelados ao mundo, incentivando um consumo frágil e efêmero. Paralelamente ao que foi dito antes, a internet e a velocidade com que as informações são direcionadas às pessoas agem de maneira rápida e constante, trazendo-nos a sensação de nunca conseguirmos nos identificar plenamente com algo, já que novas tendências estão constantemente surgindo e nos modificando. Essa lógica encontra paralelo em Clube da Luta, obra que critica uma sociedade na qual o consumo se torna parte da construção da identidade, fazendo com que os indivíduos passem a buscar nos objetos aquilo que não conseguem consolidar em si mesmos.
Iniciado na década de 1970, no período chamado de “crise do petróleo”, o fast fashion surge como uma alternativa das indústrias têxteis para sair da crise e remanejar a produção. As indústrias analisam o que está em alta e produzem peças semelhantes, mas mais baratas e de qualidade inferior, para que haja uma garantia de que as peças serão consumidas. A roupa não precisa necessariamente perder sua utilidade para ser substituída; basta perder sua condição de novidade.
Este modelo de produção é insustentável, pois, para produzir fibras têxteis, é preciso desmatar, utilizar fertilizantes e agrotóxicos, extrair petróleo e realizar transportes, entre outras atividades que podem causar poluição. Além disso, produz formas de trabalho com condições precárias, principalmente no continente asiático. Quando a tendência já não é mais atrativa para as pessoas, as peças são descartadas em aterros sanitários e lixões (como na foto acima). Dentre as fibras têxteis, o poliéster é o mais utilizado na produção das peças, um plástico que leva em torno de 200 anos para se decompor.
Como podemos reduzir esse consumo frágil? O slow fashion é uma alternativa viável à moda rápida, pois as peças produzidas apresentam maior qualidade e tempo de durabilidade, além de serem mais sustentáveis que as peças de fast fashion.

Vivienne usou suas criações para comunicar ideias – frequentemente usando gráficos para enfrentar questões de injustiça política e social. O símbolo da suástica visto na camisa Anarchy de 1977, desenhada pela Westwood & McLaren, foi colocado sobre uma imagem invertida de Cristo no crucifixo e da Rainha Elizabeth II em um selo britânico, com a palavra ‘DESTROY’ estampada acima da imagem. Os gráficos foram pensados como um ato provocativo de denúncia da corrupção e da ditadura. Mais amplamente, foi uma forma de desafiar a geração mais velha, de dizer “Não aceitamos seus valores ou tabus – vocês são todos fascistas.” fonte: A História até Agora | Vivienne Westwood®
Em uma grande contradição em relação às instituições britânicas, em 1992, Vivienne foi condecorada por Sua Majestade, a rainha Elizabeth II, no Palácio de Buckingham, por sua contribuição à moda britânica. Mesmo diante dessa cerimônia de grande prestígio, ela continuou desafiando as convenções sociais. Usando um conjunto de alfaiataria cinza, causou polêmica ao girar diante dos fotógrafos e revelar que não estava usando roupa íntima. Westwood conseguiu transitar entre a contracultura e o reconhecimento institucional sem abandonar sua personalidade provocadora.
Nesse contexto, Vivienne, durante sua vida foi uma ativista socioambiental amplamente ativa e engajada em questões relacionadas ao consumo frágil e efêmero, defendendo ideias associadas ao slow fashion como:
“Compre menos. Escolha bem. Faça durar”
Vivienne Westwood transformou diversas passarelas em verdadeiras manifestações políticas, principalmente entre os anos 2000 e 2010. Suas coleções abordavam mudanças climáticas, exploração dos recursos naturais, consumismo, desigualdade social e críticas ao poder político.
Também considerada “a mãe do punk”, o legado de Vivienne Westwood ultrapassa as barreiras da moda convencional. Durante sua vida, foi uma ativista engajada em políticas socioambientais. Em um contexto em que os jovens protestavam pela paz e surgia um estilo que rejeitava o consumismo, o hippie se popularizou. Em contraponto, a rainha rebelde estava construindo sua própria identidade visual contracultural.
É exatamente essa a análise que traz a reflexão de hoje: a internet reflete comportamentos homogêneos e repetitivos que são reproduzidos por uma massa de pessoas, não porque se identificam, mas porque consumir aquilo significa fazer parte de um grupo específico.
A velocidade com que as tendências são massificadas muitas vezes não nos permitem a entender e incorporar elas, fazendo com que novos estilos ocupem o seu lugar e tornando a moda (quase) sempre circular e descartável.
Talvez o verdadeiro problema não esteja em acompanhar tendências, mas em permitir que elas determinem quem somos. Em meio a tantas estéticas, padrões e possibilidades de pertencimento, fica uma reflexão: aquilo que escolhemos vestir representa quem realmente somos ou quem acreditamos que precisamos ser para pertencer?